O meu primeiro encontro com “A Mais Forte” provocou-me tantas questões que preferi fugir delas e resumir minha crítica à: “É um texto curto e profundo”. Um ano mais tarde dei uma aula sobre Strindberg (pintor, escritor e dramaturgo sueco; 22 de janeiro de 1849 - 14 de maio de 1912), que tornou minha fuga impossível, e então me apaixonei. Quando a Taci e a Mollys me chamaram para dirigi-las, uniram duas grandes vontades num só projeto, e minha resposta foi imediata: Claro que sim!
Minha direção tem como foco o trabalho do ator: O corpo, com propriedade, expressando essa história, tudo que escolhi para a encenação foi aquilo que mais atingiu as atrizes, para assim atingir ao público (nada que está em cena tem caráter apenas estético).
São duas mulheres que possuem duas coisas em comum: duas atrizes que amam o mesmo homem, uma é sua mulher e a outra sua amante. Senhora X e Senhorita Y, que como numa equação do 2º grau na matemática, uma depende da outra. Duas mulheres disputando o mesmo homem que em minha montagem só aparece nas entranhas delas, pois não interessa o que ele é e sim no que elas se tornaram por causa dele. São essas transformações que fizeram do título uma pergunta que o próprio texto já responde, mas o texto foi escrito em 1889, e hoje? Até onde é sinal de força deixar de ser quem é para ter seu prêmio? E quando a anulação é vista como adaptação onde se aprende com o meio em que vive? É sinal de fraqueza amar incondicionalmente? O que é ser mulher hoje?
Para finalizar eu lhe provoco: É isso que você quer para si?
Julia Piccolomini